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Gentileza

Queria me lembrar a todo instante,
A forma de tratar bem as pessoas,
Sair da minha voz só coisas boas,
E nunca me mostrar ignorante.
 
Mas ego e insegurança são cativos,
E fazem aflorar tão facilmente,
Um ser em mim tão rude e prepotente,
Que às vezes, sem querer, fere os amigos.
 
Então aceito o erro então repenso,
Os atos do meu dia com a certeza,
Que o humano para os erros é propenso.
 
Mas faz parte da minha natureza,
E graças ao bom Deus, ela tem senso,
De sempre agir com fé e gentileza.
 
#byLupo, 21/10/08. Revisada em 27/10/10

Momentos

Este já tem alguns anos... Apesar de depressivo, é muito bonito.
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Estou entorpecido com meus medos,
Parece-me bem grande esta loucura.
Ferimentos que estão sem ataduras
Divulgam para todos meus segredos.
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Coração que está cheio de amargura
Faz a mente pensar só nos defeitos,
Movimentos me parecem tão mais lentos,
Que o sangue não mais jorra, coagula.
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Mas se o que vejo agora é embaçado,
E a dor do corpo abranda a covardia,
E o sono que me vem não tem espinho,
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Prefiro não pensar-me neste estado,
Prefiro não negar-me a fantasia,
Prefiro até morrer, mesmo sozinho.
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#byLupo

Soneto do Pedido de Inocência

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Foi um tempo que deixou muita saudade
Todos juntos brincando na calçada
O tijolo, o cachorro, a molecada,
Tão crianças, não tínhamos maldade.
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Hoje em dia é tão tudo diferente,
Que a inocência perdeu o seu sorriso,
A criança logo cresce, sem aviso,
E se torna uma vítima inocente.
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Peço a mãe de Jesus, Nossa Senhora,
Que interceda por esses pequeninos,
Pra que o tempo não pule sua aurora.
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Neste dia especial para os bambinos,
É um homem criança quem lhe implora:
Que os livre dos nossos desatinos.
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#byLupo
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Desejo que todas as crianças nunca percam sua inocência. Desejo o mesmo para os adultos.

Conversa com Meu Anjo

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L: Vamos lá.
A: Escreva algo bom Lupo.
L: Soneto de novo?
A: Pode ser.
L: Assunto?
A: O maior de todos... Deus.
L: Deus... Qual Deus?
A: Ele É único Lupo.
L: Mas as religiões são tantas. Serão todos o mesmo Deus?
A: [silêncio]
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[pausa]
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L: Sempre acreditei que todos os caminhos levam ao mesmo lugar.
A: Falemos então do amor. Não há como não relacionar Deus com amor.
L: Tudo bem. Temos um tema. Falta a poesia. Comecemos?
A: Comece. Fale de si mesmo, eu ajudo.
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Meu passado em lembranças apagadas,
Foi perdido e eu não vou mais recordar,
Não há fotos, nem choro nem risadas,
Não há céu, nem mais terra e nem o mar.
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L: Mas não estamos falando de amor... E isso está ficando triste.
A: Continue Lupo. Diga o que sente.
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Sinto tanto esta perda na memória,
Mas não vou deste exemplo me esquecer:
Se eu perdi uma parte de minh'história,
A que resta eu não posso mais perder.
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L: Vejo que existe uma luz nesta poesia, mas ainda não sei o que fazer.
A: Sim, existe uma luz. Nunca é tarde Lupo, recomece!
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Vou fazer um passado novamente,
Em cada instante em que o coração bater,
Em tudo bom que eu puder compartilhar.
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A: E o que você aprendeu?
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Aprendi que só fica em minha mente,
Não aquilo o que eu pude receber,
Mas o amor que sem medo eu pude dar.
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L: Encontrei o amor.
A: Sim. E com ele meu querido aprendiz, encontrou Deus.
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#byLupo

Pai e Filha

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Tive um sonho tão lindo neste dia:
O médico falou que era menina,
Vermelha, toda suja - Carolina!
Se bem que a mãe só pensa em chamar Lia.
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De meu rosto uma lágrima caia,
E seu toque confirmou que eu já sabia:
Que de hoje até o meu final dos dias,
Amigo e companheiro lhe seria.
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E Imaginei-me vendo ela crescer,
E as coisas que eu iria lhe ensinar,
E tudo o que eu queria lhe mostrar.
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Mas tem coisas que a gente não vai ter,
Nem tudo nesta vida Deus vai dar.
Acordei... Só queria mais sonhar.
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#byLupo

Sonho

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Sonho bobo, mas não triste.
Sonho bom o que sonhei: 
Acreditei estar dormindo, 
Acreditei que o sonho existe, 
E de um sono infinito, tão bonito, 
Acordei.
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Acordei num pesadelo!
Tudo em volta só tristeza, ironia e ambição.
Nada bom ou passageiro, 
Machucavam, com firmeza, 
Sem perdão!
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Assim como eu criança,
Pensei coisas tão banais! 
Vejam só o que proponho: 
Todos juntos na esperança, 
Que os sonhos são reais, 
E a realidade, são só sonhos.
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#byLupo

Soneto da Chuva

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Muitas nuvens passeando frente a tarde,
De negro o céu pintando com brandura,
Já caem primeiros pingos desta cura,
Aos poucos vem chegando sem alarde.
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E lá fora ouço o som de tantas gotas,
Que juntas, elas molham a calçada,
Eu olho pra janela e dou risada,
Será que molhariam sendo poucas?
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Percebo neste louco devaneio,
Que a água, sendo muita, é o oposto,
De tudo o que eu mais gosto e o que odeio:
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Eu devo admitir, a contragosto,
Molhando esta minh'alma, ela me veio,
Bem pouquinha, a cair deste meu rosto.
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#byLupo

Soneto I e Soneto II

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Passeando nesta tarde que acabava,
Percebi a beleza no poente,
Na montanha, deitava um sol ardente,
Lá no céu, lua nua mais brilhava.
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Cada estrela tranqüila e reluzente,
Meu caminho na noite iluminava,
Pés descalços, a onda me molhava,
E seu som me fazia ir em frente.
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Astro rei, já chegando no outro lado,
Acordava o cantar do passarinho,
E pensei, Oh meu Deus, muito obrigado!
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Escolha o seu final:
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Final 1:
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Eu não posso me achar um ser sozinho,
Pois me destes um mundo abençoado,
Me destes uma flor sem muito espinho.
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Final 2
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Pois Você, neste gesto de carinho,
Ensinou que o destino é abstrato,
Ensinou-me a amar só o caminho.
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#byLupo

Soneto da Dor

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Doente, sei que está, amada musa,
E tanto sofrimento lhe judia,
Pudesse eu arrancá-la, tiraria,
Do corpo toda dor que lhe é intrusa.
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Pudera pelo menos transportá-la,
De ti, para meu corpo, só a metade,
Pois sei que não seria sua vontade,
Que em mim toda ela fosse suportá-la.
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Não quero ver tristeza em teu rosto,
Sabendo que por ti estou sofrendo,
Da dor que esta tua dor me causaria.
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Nós dois temos que o amor é um composto,
Que sofre quando o outro está doendo,
Da dor que o mesmo sofre em agonia.
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#byLupo

Soneto do Palhaço Sozinho

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É tarde, num espelho então me vejo,
Contemplando esta imagem sem pintura,
Em meus olhos, só olheiras de amargura,
E no peito, só amor, nenhum desejo.
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De paz, desenho o rosto, então escondo,
De mim mesmo o que eu quero e o que eu sinto,
E de sangue, os meus lábios então pinto,
De esperança, um palhaço vou compondo.
---
E saio percorrendo o meu caminho,
Enchendo de alegria o picadeiro,
Tentando não matar minha esperança:
---
Não quero neste circo ser sozinho,
Que entende que um amor só é verdadeiro,
Se é feito de empatia e não cobrança.
---
#byLupo

Soneto do Amor Maior

-
Havia uma saudade tão estranha,
Que eu nunca soube bem de onde vinha,
Não sei se esta saudade era só minha,
Mas hoje já não mais me acompanha.
-
Meu Deus, que eu creio tanto, mas não via,
Fez peso nesta cruz que eu carregava,
Eu fraco, de joelhos, só sangrava,
A aos céus, misericórdia, eu pedia.
-
Então, como num sonho, tão bonito,
Um anjo apareceu na minha frente,
E olhou além das marcas, da ferida:
-
O amor que então surgiu foi infinito,
Que est’alma então sorriu alegremente,
E noutra se juntou por toda a vida.
-
#byLupo

Entenda este soneto da mesma forma que eu clicando aqui.

Soneto Dos Animais

---
No claro misturado com o escuro
As curvas do teu corpo (mal as via!)
Toquei teu lindo rosto - que ousadia,
Tocaste a minha face num sussurro.
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Te trouxe mais pra perto do meu peito
A mão por entre a blusa te tocava
O toque que eu mantinha me mostrava
Você ser perfeição, e eu defeito.
---
Em beijos e passeios descarados,
Senti que não mais éramos humanos:
Passamos para a classe de animais.
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Mais forte do  que o vento em mil tornados,
Mais certo que os erros que erramos,
Te tive só pra mim, e quero mais!
---
#byLupo

Coragem

--
Não me basto, dizia o poeta.
Não me entendo, eu digo agora mesmo,
Não me iludo, no mar perdido a esmo,
Não me movo, a vida é tão incerta...
--
Levo a ferro este erro que cometo,
Lavo a seco esta lágrima que forma,
Lava quente, uma angústia que transforma,
Leve e árduo, este triste meu soneto.
--
Se há vida nesta vida miserável,
E é comprida esta estrada sem miragens,
E se é vivida esta dor que tenho agora:
--
Há em mim uma sede insaciável
Perceber nesta estrada as paisagens
Aprender com a dor que me apavora.
--
by Lupo

Elogio ao Sofrimento

--
Tudo acaba tal chuva no verão,
Vida é um barco e eu sou seu marinheiro,
Tudo finda, é sempre passageiro,
Tempestades, loucura ou solidão.
--
Veja as gotas que caem do meu olhar,
Secarão com a noite e com o sono,
A tristeza que trouxe o abandono,
É igual a que ensina eu me amar.
--
Como eu posso negar este presente,
Maldizendo essas dores do passado,
Se são elas que moldam o meu futuro?
--
Tudo acaba e começa novamente,
E cada ato é menos complicado,
Cada onda me deixa mais seguro.
--
by Lupo

Soneto do Adeus


Vou-me embora, pra longe deste estado,
Vou-me agora, não posso mais ficar,
Já é hora, das coisas arrumar,
Pra ir lento, sereno, descansado.

Sigo fundo, o caminho do luar,
Já ouvindo, este som do meu passado,
Sigo indo, na estrada com cuidado,
Esperando, quem sabe eu voltar.

Meu destino, terá bastante espinho,
Mas com rosas, e cheiros que remetem,
A eu mesmo, quando era tão sozinho.

Mas percebo, que as coisas se repetem,
Ao olhar, que seguindo este caminho,
No espelho, as lembranças me perseguem.

Criado em 09/10/2007

Soneto do Amigo


Que você seja todo sentimento,

Que consiga entender o que é preciso:
Mais bonito, até que de Narciso,
Se veja não por fora, mas por dentro.

Que a sua tão bonita caridade,

Sobreponha o ódio do inimigo,
E que ele se torne seu amigo,
E que juntos cultivem a amizade.

Mas aprenda com os erros do passado,

E perceba os minutos de alegria,
Que ensine todo dia uma lição:

Ser feliz não é coisa do acaso,

Pra entender não é ter sabedoria,
Mas seguir, sem ter medo, o coração.

Revisada em 08/10/2007

Despertar


Cansei da vida assim estacionada,
Estou cheio do trabalho atrasado,
Não quero de manhã estar cansado,
Não quero amanhã não saber nada!

Agora eu vou sair de madrugada,

Agora eu vou estar do outro lado,
Pois sinto-me bem mais que motivado,
Percebo mais paisagens na outra estrada.

Por isso que te digo aqui e agora,
Que eu sei que vou sofrer por mudar tanto,
Pois dentro é bem mais fácil que lá fora.

Mas há ainda em mim algum encanto,
Que eu lembro lá dos tempos de outrora,
E a vida me escondeu atrás do pranto.


Criada em 05/10/2007

Do Outro Lado


É sempre no final que a gente sofre,
É sempre noutro não este meu trauma,
E sempre em desespero eu perco a calma,
E é sempre deste jeito que o amor morre.

É sempre o mesmo tempo de amargura,

E sempre eu choro ao vê-lo indo embora,
Mas tempo, por ser tempo, não tem hora,
De apaziguar meu peito com ternura.

Mas vejo que agora é diferente,

Percebo que o passado foi em vão,
Pois ele não mostrou o meu presente:

De ter que terminar uma paixão,

De ter, pra alguém querido e tão carente,
Bem fria - olhar nos olhos - dizer não.

Criada em 05/10/2007

Comentário:

Sempre que escrevo um soneto na primeira pessoa, tenho 3 opções: O "personagem narrador" (existe este termo ainda?) pode ser homem, mulher ou indefinido. Neste, assim como em muitos outros que já fiz, trata-se de uma mulher.

É maravilhoso poder, no mundo da poesia, imaginar o sentimento de outras pessoas e tentar descrevê-los. Nem sempre a gente consegue, mas acho que consegui neste soneto que, desculpem-me a falta de modéstia, ficou muito bonito.


Lembro porém, que já desisti faz tempo de entender a alma feminina. Contento-me em aceitá-la como ela é, o que aliás já não é fácil.

Copiando Camões


Soneto I

Amor é dom que nasce sem se ter
É a querida que chega de repente
E com carinho ela passa a mão na gente
E diz o que ninguém sabe dizer


É pensar no futuro ao conhecer

É chorar sem saber o que se sente
É tudo o que se diz e o que se mente
Para um minuto a mais o amor manter

É entender da mentira a verdade
É um frio misturado com calor
É querer muito mais que lealdade

Mas tão estranho é este tal amor
Pr'aquele que só quer mais que amizade
Quando vê não passar d'um sonhador?

Revisada em 15/10/2007


Inspirado no Soneto XI:

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luiz Vaz de Camões

Desistência de um Normal


Eu não sinto mais nada e sou tão pouco,
Que só vejo no mundo interferência,
Ela agride minh’alma, minha essência,
Neste mundo de sãos me sinto um louco.

E lá fora eles dançam a mesma dança,
Só mentindo saber os meus defeitos,
Tenho regras, mas não os meus direitos,
Tenho sonhos, mas não a esperança.

Eu não quero mais droga de farmácia,
Eu não quero dançar mais esta dança,
Não mais quero fingir que é natural.

Pois a droga não tem mais eficácia,
Pois a dança já está ultrapassada,
É mais fácil fugir, ser anormal.

Revisada em 04/10/2007

Comentário:

Repare nas tônicas nas 3ª, 6ª e 10ª sílabas poéticas em todos os versos. Geralmente me preocupo apenas com a 6ª e a 10ª, alternando a primeira tônica entre a 2ª e 3ª sílaba (dependendo das idéias que surgem), pois é chato ficar trabalhando o poema.

Contraditoriamente, não sinto um ritmo bacana quando leio este heróico. Isso demonstra que a poesia vem mais da alma, do momento e do sentimento do que da técnica. Os parnasianistas são mesmo uns chatos!

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