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Despertar
Cansei da vida assim estacionada,
Estou cheio do trabalho atrasado,
Não quero de manhã estar cansado,
Não quero amanhã não saber nada!
Agora eu vou sair de madrugada,
Agora eu vou estar do outro lado,
Pois sinto-me bem mais que motivado,
Percebo mais paisagens na outra estrada.
Por isso que te digo aqui e agora,
Que eu sei que vou sofrer por mudar tanto,
Pois dentro é bem mais fácil que lá fora.
Mas há ainda em mim algum encanto,
Que eu lembro lá dos tempos de outrora,
E a vida me escondeu atrás do pranto.
Criada em 05/10/2007
Vida de Ladrão
Nasci neste lugar sem fim,
Pobre, sem chão, sem mãe e sem pão.
Cresci feliz? Não!
Não tive criação,
Roubei, enganei e me droguei.
Fui espancado,
Porque num dia, extasiado, estuprei.
Porquê? Não sei.
Tive que lutar com as armas que me deram,
Me chamaram de ladrão, de mendigo!
Mas ninguém me ensinou o que é amor,
Ninguém me falou que dói muito sentir dor,
E acreditem: isso eu aprendi sozinho.
Fui preso e confessei o meu erro:
De ter nascido e não vivido.
Não que eu não queria,
Para mim, ser feliz é ousadia,
Coisa de rico, mas não rico de pão:
Rico de educação.
Revisada em 01/10/2007
Vivendo Como um Gato
Os gatos são mais vivos que os cachorros:
São eles que escolhem seus momentos,
São eles que comandam seus direitos,
São eles que se tornam nossos donos.
Quando chama, o cão vem pra ter carinho,
Se apanha, logo fica encabrunhado.
Não tente fazer isso com um gato:
Pois ele deixará você sozinho.
Posto isso, melhor ser mais felino,
E viver nesta vida sem ter dono,
E viver nesta vida incompreendido.
Apesar do instinto assassino,
Sendo gato, não sofro com o abandono,
Sendo gato, jamais serei traído.
Revisada em 16/09/2007
Sertão
Trabalhando sem ter a liberdade,
Plantando o que se come na cidade,
Vivendo o que se vive com saudade,
Morrendo de velhice sem idade.
Calejadas são mãos que sem carinho,
Manejam a enxada com jeitinho,
Abrindo entre as matas o caminho,
Sentindo-se tão só sem ser sozinho.
Seu tempo nesta vida vai morrendo,
Sol-a-sol só família lhe interessa,
Que de fome ao menos não mais morre.
Este homem que parte não sabendo,
Que é tão pouca a vil terra que lhe resta,
Pouca terra honrados ossos cobre.
Revisada em 17/09/2007
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