Carta ao Pequeno Príncipe

Mágoa. Quando estamos com esse gosto amargo na boca, é muito difícil dar valor ao que realmente é importante. É como sentir falta de algo que nunca se teve, ou mais ainda: não sentir falta daquilo que se perdeu.

Às vezes são detalhes que causam a confusão, e a confusão faz com que a gente não pense direito. O ato de imaginar torna-se um pesadelo, e o tempo passa a andar mais devagar. Cada detalhe é motivo para mais mágoa, imaginações e sofrimentos. Quem dera as imaginações fossem fatos.

Existia entre nós um pacto invisível e que foi quebrado. Ambos nos julgamos certos em nossas necessidades e, magoados como ficamos, fizemos alvoroço. Queríamos estar no centro deste imenso furacão, mas neste espaço não cabia nem ao menos uma pessoa, quanto mais duas.

Agora eu sei que o tempo e a distância, mesmo depois de anos de tregua, continuam sendo meus maiores inimigos. O tempo fulgaz e repentino percebeu que era mais eficaz em sua destruição sendo lento e imprevisível. A distância, por sua vez, tornou-se implacável em sua proximidade.

Sei que é difícil entender o que escrevo aqui, até porque são apenas palavras ao vento, mas posso dizer algo que possa ser entendido de forma bem clara: sinto muito pelo que fiz e principalmente pelo que não fiz. Sei que tentei e continuarei tentanto até o fim, mesmo que isso destrua meus espinhos. Não posso desistir das coisas que eu sinto, e principalmente,  não posso abdicar das minhas convicções. Se fizesse isso, eu não estaria só desistindo de você, mas também desistindo de mim mesmo.

Sei que é impossível perdoar sentindo o tal gosto da mágoa, por isso entendo que não aceite o meu perdão, mas aceite ao menos que nem tudo é o que parece (eu juro que estou tentando acreditar nisso). Se não entendi você, também foi culpa minha. Também.

Quero que saiba ainda que quando eu te chamei não era para te impedir de navegar, podando a sua liberdade ou ânsia de conquistar novos mundos, mas para te lembrar que existia a esperança de um sonho guardada em algum lugar, e que você tinha esquecido de colocar na mala em sua longa viajem.

Lembre-se que você também é responsável por aquele que cativas. Você me cativou, e não fez isso de manhã, de tarde ou de noite, pois aqui em nosso planeta, como bem sabe, isso não existe.

O que machuca não é ter ficado sem o seu bom dia ou o seu boa noite, mas não ter tido a chance de ter desejado isso a você. Só isso já seria suficiente para que eu arrancasse minhas raizes da terra e fosse contigo explorar outros planetas.

#byLupo, primeira publicação em 25/11/2005

4 comentários:

LyRodrigues disse...

Emocionante.

(sou insegura quanto aos comentário msm... rs)

Mas te digo isso: amo te ler

Reflexo d Alma disse...

Adoro aqui...
hoje estou so me atualizando em
Lupo rsrs
Adoro.
bjins

Maria Helena disse...

Meu amigo,
O que você escreveu é universal. Em muitos cantinhos do mundo alguém ficará melhor porque você um dia transformou um momento seu num texto maravilhoso e sensível.
Eu hoje me encontrei em muitos dos parágrafos e me sinto melhor por isso. Lindo texto!!!!!
Obrigada!
Bjs

Talles Azigon disse...

interessante meu caro que é a segunda pessoa que vejo escrever uma carta ao pequeno principie e eu que nunca li
me sinto um pária

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